Fontes da diplomacia brasileira ouvidas pelo Bastidor andam cada vez menos otimistas em relação ao acordo de livre comercio entre a União Europeia e o Mercosul. Acham que, um dos principais entraves, a França, dificilmente aprovaria a proposta na atual conjuntura política.
Emmanuel Macron, presidente do país, admitiu a dificuldade diretamente a Lula em encontro bilateral durante reunião do G20 em Nova Déli, na Índia, neste fim de semana. O presidente brasileiro, porém, acha que seu par francês deveria se empenhar mais.
A agricultura na França é competitiva porque recebe pesados subsídios do Estado e teme que, com a entrada sem cobrança de impostos ou com a cobrança reduzida, a produção agrícola brasileira poderia inviabilizá-la.
A extrema-direita no país tem instrumentalizado o temor e, por conta disso, o setor agrícola francês rejeita o livre comercio com o Mercosul e trava o avanço nas negociações.
Em 2019, os blocos chegaram a fechar um acordo sobre seus termos depois de 20 anos em negociação. Em março deste ano, porém, a União Europeia enviou um adento, cobrando compromissos ambientais e propondo punir unilateralmente os países que, na sua opinião, não cumprissem os acordos de preservação do meio ambiente.
Lula discorda. A União Europeia diz que está aberta a negociar. Mas a diplomacia dos dois países sabe que, se Macron não trabalhar para convencer o agronegócio de seu país, o acordo não sai.

