Os senadores da oposição que integram a CPI da Pandemia vão provocar o general Eduardo Pazuello se ele conseguir uma ordem judicial que garanta seu silêncio. O ministro Ricardo Lewandowski vai decidir sobre o pedido da Advocacia-Geral da União levado hoje, quinta-feira 13 de maio, ao STF.
O militar teve a gestão mais criticada entre os quatro que comandaram o Ministério da Saúde no governo de Jair Bolsonaro. Ficar quieto, portanto, não vai evitar longas e tensas horas sentado em frente aos senadores. Ele seria o primeiro a ser ouvido pela CPI, mas alegou que teve contato com pessoas que poderiam estar com covid e, portanto, não poderia comparecer. Deve ir na quarta-feira 19 de maio.
A estratégia inicial da oposição é usar os 15 minutos que cada senador tem direito para apontar a culpa do general pelas mais de 425 mil mortes provocadas pela resposta do governo Bolsonaro à pandemia.
A falta de oxigênio durante a segunda onda de contaminação em Manaus certamente será atribuída a ele. Outro assunto explosivo é a ordem para o Exército fabricar cloroquina apesar de o medicamento não ter eficácia comprovada contra a covid.
Senadores da oposição apostam que as graves acusações vão quebrar o silêncio do general. Esse é um dos maiores temores no Palácio do Planalto. Se Pazuello resistir quieto, integrantes da comissão vão dizer que é uma confissão de culpa.
Os depoimentos dados à CPI até agora reforçaram as acusações contra o general e o chefe dele porque o governo teria sido omisso na compra de vacinas em 2020 e falhou na coordenação das medidas que poderiam evitar mortes e o colapso hospitalar em muitas cidades brasileiras.

