O depoimento do empresário e lobista Francisco Emerson Maximiano, o Max da Precisa Medicamentos, ainda não tem data na CPI da Pandemia. Os senadores lidam com dois obstáculos para ouvir esse personagem central nas acusações de corrupção para a compra da vacina indiana Covaxin.
O primeiro problema é que Max vai poder manter silêncio durante seu depoimento. O presidente da comissão, Omar Aziz, tinha levado pedido de reconsideração à ministra Rosa Weber, mas ela manteve a decisão.
O segundo problema é a demora no envio dos contratos e do processo administrativo do Ministério da Saúde que tratou da importação da Covaxin. O objetivo era a compra de 20 milhões de doses a US$ 300 milhões, mas a Controladoria-Geral da União recomendou a suspensão do contrato.
Velho conhecido no Ministério da Saúde, Max está sendo processado porque outra empresa dele, a Global, deixou de cumprir contrato de fornecimento de medicamentos. Segundo o Ministério Público Federal, há uma ação de improbidade administrativa contra o líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, aberta para ressarcir os prejuízos de R$ 20 milhões causados pela Global Saúde ao não entregar medicamentos comprados na gestão dele à frente do Ministério da Saúde. A Global Saúde é sócia da Precisa Medicamentos.
O silêncio para evitar que alguém se incrimine é garantido pela Constituição e os ministros do STF vêm, reiteradamente, concedendo ordens nesse sentido. Para a CPI da Pandemia, trata-se de um dilema.
Max pode repetir o que fez o empresário bolsonarista Carlos Wizard Martins. Ele participou de audiência na CPI em 30 de junho e, durante mais de seis horas, recusou-se a responder perguntas dos senadores.

