O diretor da Prospectiva Consultoria, Ricardo Sennes, afirma que parte relevante da elite brasileira troca facilmente a democracia por uma sensação de país estável e governo pró-mercado. Na avaliação dele, os líderes do setor privado que conseguem enxergar riscos a médio e longo prazos ficam mais assustados com a crise política que o Brasil enfrenta atualmente.
Sennes é economista e atua como associado do Atlantic Council, em Washington. Ele ressalta um comentário feito por um experiente embaixador Brasileiro para quem as empresas preferem atuar, em primeiro lugar, em países estáveis com governos pró-mercado e democracias. Em segundo lugar, países estáveis, pró-mercado, mesmo sem democracia.
A dificuldade em precificar a falta da democracia para muitos operadores do mercado financeiro ocorre no Brasil, mas em muitos outros países, segundo Sennes. Cenários parecidos como esse ocorrem na China e na Rússia, mas já aconteceram, por exemplo, no Peru presidido por Alberto Fujimori (1990-2000) e na ditadura militar no Chile liderada pelo general Augusto Pinochet (1973-1990).

