André Mendonça será sabatinado na CCJ do Senado nesta quarta-feira (1º), mas ninguém sabe se ele sairá do Congresso ministro do STF ou com a pecha de ser o indicado de Jair Bolsonaro que foi recusado pela política. Um ministro da corte afirmou ao Bastidor que não aposta qual será o resultado das sessões, mas tem certeza de que o calvário do ex-AGU é culpa exclusiva do governo.

Governo e Davi Alcolumbre afirmam terem votos suficientes para seus objetivos.

Esse ministro comparou a situação de Mendonça à vivida por Luiz Edson Fachin em 2015. Após ser indicado por Dilma Rousseff em abril, Fachin foi sabatinado no mês seguinte. Apesar dessa rapidez para a sabatina, a sessão de questionamentos no Senado durou 11 horas.

À época, muitos senadores não simpatizavam com o agora ministro do STF por sua tendência ideológica à esquerda. Com Mendonça, a ideologia tornou-se dividendo – o fato de o ex-ministro da Justiça ser evangélico foi um dos fatores que garantiram sua indicação.

Nesse ponto, o que pesa são os aliados. Por exemplo, Silas Malafaia – que ataca o Senado e o STF sempre que pode. O problema de alguns senadores com Mendonça seria seu alegado lavajatismo, mas o ex-AGU não era benquisto pelos procuradores que atuaram na Lava Jato no Paraná.

Para contornar esse resistência seria necessário articulação política. Mas, segundo esse ministro do STF, o governo pecou nesse ponto, assim como o faz para aprovar projetos no Congresso – num passado recente um deputado da base do governo já havia dito que a definição de votação antes de pautas importantes é sempre confusa e truncada.