A aceitação fácil pelas bancadas do Podemos na Câmara e no Senado da possibilidade, especulada em janeiro, de Sergio Moro migrar para o União Brasil e disputar por lá a Presidência da República chamou a atenção de gente mais próxima do ex-ministro.
Apesar de pouco provável, iniciou-se ali um temor de que a campanha de Moro pudesse não receber o apoio necessário dentro do próprio partido para viabilizar sua candidatura a presidente.
Relatos mais recentes dados ao Bastidor confirmam o medo dos apoiadores de Sergio Moro.
Não se trata –ainda– de o ex-ministro não ter a legenda para disputar as eleições, mas de um eventual abandono de seus correligionários, que estão mais preocupados com suas próprias campanhas.
Alguns avaliam aproveitar a janela partidária para deixar o partido.
Dois deles já indicaram a seus aliados a troca de legenda. O deputado José Medeiros, um apoiador do presidente Jair Bolsonaro; e João Carlos Bacelar, mais ligado à esquerda, que poderá endossar a candidatura de Lula.
Os motivos elencados por deputados e senadores ao Bastidor para o enfraquecimento interno são dinheiro, alianças locais, incapacidade de Moro de chegar aos dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto e o desejo de embarcar em candidaturas mais competitivas.
Há a avaliação de que Sergio Moro faz exigências demais e atrapalha a reeleição da bancada. Um parlamentar diz ter feito as contas somente com os gastos com as assessorias jurídicas e de marketing escolhidas pelo ex-juiz: 60 milhões de reais.
Para o parlamentar, é muito dinheiro quando se tem um fundo eleitoral de 200 milhões de reais e há outras previsões de gastos eleitorais somente na campanha presidencial.
Mesmo no Paraná, terra de Moro, o Podemos quer embarcar na candidatura a reeleição de Ratinho Jr., que quer mesmo é dar palanque para Jair Bolsonaro.
O senador Álvaro Dias tenta uma candidatura própria no estado para poder abrigar exclusivamente o ex-juiz. Mas parlamentares no Paraná, contudo, preferem ter o governador do Paraná como candidato local.

