Aliados do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, atribuem a Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secom, o processo de fritura de Lupi, que vigora desde a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União contra fraudes no INSS, na quarta-feira.

Esses aliados afirmam que Sidônio vazou detalhes de um media training que fez com Lupi e os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Vinícius Carvalho (CGU) para desgastar o ministro da Previdência. Os três participaram da entrevista coletiva que tratou da operação.

O objetivo seria forçar Lupi a pedir demissão e evitar o constrangimento de o presidente Lula ter de fazer isso. Apesar de ser o responsável pela nomeação de Alessandro Stefanutto para o INSS, Lupi se recusa a pedir demissão e coloca a culpa do movimento contra si em Sidônio.

A movimentação de Sidônio é para evitar que a oposição consiga usar o episódio para colar no governo a pecha da corrupção. O marqueteiro teme que o desvio que podem ultrapassar os 6 bilhões de reais, pormeio de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, mine o trabalho de recuperação da avaliação positiva do governo e de Lula.

Sidônio considera que o tema é dos maiores desafios de Lula e do PT, dado o histórico com a operação Lava Jato. Quer vender o discurso de que a fraude foi descoberta no atual governo, mas começou em 2019, no governo Bolsonaro.

Sidônio é dos ministros mais próximos de Lula hoje. Sua influência vai além do governo e chega às bancadas do PT no Congresso. Conseguiu, por exemplo, afastar a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, das decisões que envolvem a comunicação da gestão federal.