Lula comete um erro estratégico, na avaliação de um auxiliar, em não tentar uma relação direta com o deputado Marcos Pereira (SP), presidente do Republicanos. “Deixa de combinar jogadas”, diz.
Ao longo da negociação para a ida de Silvio Costa Filho para o Ministério dos Portos e Aeroportos, Pereira enviou recados de que estava disponível para uma conversa com o presidente. Não houve.
A articulação do governo, sabendo da importância de uma conversa direta e pessoal, chegou a indicar que o encontro ocorreria. Mas nunca ocorreu.
Na avaliação do lado do Republicanos, Pereira não pode procurar Lula diretamente para uma conversa, sob o risco de perder os bolsonaristas de seu partido e de ser acusado de não ter independência.
Um movimento incerto assim e sua candidatura a presidente da Câmara em 2025, quando terminará o mandato de Arthur Lira (PP-AL), seria prejudicada. Pereira, no entanto, não quer ficar distante. Além dos benefícios óbvios, ele precisa do voto da base governista.
Os movimentos do governo – que, neste momento, vê nele a melhor candidatura na sucessão da Câmara – e de Marcos Pereira, que precisa se equilibrar entre oposição e situação, têm de ser cuidadosos para não perder apoios.
O erro de Lula, diz o auxiliar, está em não ter uma conversa direta, que lhe permita combinar “jogadas políticas”. Lula acha que Pereira poderia solicitar uma audiência. Pereira, embora diga que está disponível, acha que caberia ao presidente procurá-lo.

