A articulação do governo Lula tentará acertar com Arthur Lira, presidente da Câmara, que a medida provisória que recriou o Bolsa Família não seja relatada por um deputado do PT.
O perfil perfeito para o trabalho é de alguém que não só não seja do PT, como de preferência não seja da esquerda.
Os articuladores acreditam que a disposição da oposição em criar problemas será menor se o relator for alguém não muito identificado com o governo. A escolha de um relator mais à direita também pode ser usada como gesto para aumentar a base de apoio do governo.
A avaliação é que a oposição jamais ficará contra o programa – ao contrário, tentará turbiná-lo. Há três razões para isso: causar problemas para o governo federal encontrar dinheiro no orçamento; vingar a resposta da esquerda ao auxílio emergencial – que, por conta do Congresso, saiu de 200 reais para 600 reais; ajudar os municípios, de olho nas eleições do ano que vem.
A economia de muitas cidades é altamente sensível ao Bolsa Família. Se o programa paga mais, mais dinheiro circula no comércio local, o que ajuda no sucesso de pequenas empresas e gera empregos.

