O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quarta-feira (23), na reunião de cúpula dos Brics e pediu o fim da escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia. Foi a primeira vez que o brasileiro se dirigiu diretamente a Vladimir Putin com essa pauta, apesar das tentativas frustradas da diplomacia do Itamaraty de mediar o conflito, desde 2013.

Lula enviou um vídeo para ser apresentado na abertura do encontro, que colocará o Brasil na presidência do bloco, a partir de 1º de janeiro de 2025. O presidente desistiu da viagem a Kazan por recomendações médicas, depois de sofrer um acidente doméstico, no sábado.

“Como disse o presidente (Recip) Erdogan (da Turquia) na Assembleia Geral da ONU, Gaza se tornou ‘o maior cemitério de crianças e mulheres do mundo’. Essa insensatez agora se alastra para a Cisjordânia e para o Líbano. Evitar uma escalada e iniciar negociações de paz também é crucial no conflito entre Ucrânia e Rússia”, disse Lula.

O presidente disse que o chamado Sul Global deveria se unir em torno de pautas mais construtivas do que em guerras entre si. Mas, no caso da Rússia e Ucrânia, a solicitação se resumiu a apenas uma frase.

No terça-feira (22), Lula conversou com Putin por telefone, por cerca de 20 minutos. O Palácio do Planalto apenas informou que o presidente russo quis saber o estado de saúde do petista e estimou melhoras, sem entrar em detalhes.

Lula também enalteceu o trabalho da ex-presidente Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics. Ele também aproveitou o discurso para incentivar o uso de moedas próprias nas transações entre os países dos Brics. Essa prática coloca em xeque o uso do dólar nas transações internacionais e deixa em risco a economia dos Estados Unidos.

Embora Lula não tenha citado a Venezuela, o Brasil vetou a entrada do país na lista dos candidatos a serem aceitos no bloco.