Jair Bolsonaro teve uma melhora nas pesquisas de intenção de voto, mas produziu um fato negativo contra si mesmo ao tentar arrancar o celular da mão de um youtuber bolsonarista. Lula manteve-se com uma possibilidade pequena de vencer no primeiro turno, mas experimentou a dificuldade de ser vítima de fake news e da incapacidade de sua campanha em reagir.
No plano geral, a primeira semana de campanha eleitoral girou em torno de problemas com repercussão nas redes sociais. Nem Lula, nem Bolsonaro enfrentaram problemas em suas alianças políticas ou conquistaram algo novo. O que eles provaram foram problemas no mundo digital.
Jair Bolsonaro perdeu o controle com um youtuber chamado Wilker Leão, num episódio no cercadinho do Alvorada. No mesmo dia que foi divulgada a pesquisa Datafolha em que subiu três pontos percentuais, Bolsonaro produziu um fato negativo que roubou parte da atenção positiva que teria. O entrevero com Leão rendeu ao presidente a viralização do apelido “Tchutchuca do Centrão” e memes impublicáveis no dia seguinte. Se Bolsonaro não tivesse tido uma altercação com Leão, a situação ficaria restrita ao pequeno canal do rapaz e não teria qualquer impacto.
Apesar de manter-se na liderança com folga na pesquisa Datafolha, Lula viu a diferença para Bolsonaro encurtar. Percebeu ainda o desgaste causado pelas fake news bolsonaristas entre evangélicos. O petista tentou enviar recados aos evangélicos em discursos. Lula sofre de um problema maior, de o PT não ter disputado o público evangélico com a direita nos últimos anos.
Como se esperava, toda a atenção da campanha está direcionada a Lula e Bolsonaro. Os candidatos Ciro Gomes, do PDT, e Simone Tebet, do MDB, foram praticamente ignorados. No Datafolha, ambos marcaram a mesma pontuação de sempre. Todos se interessam apenas em saber para quem irão seus parcos eleitores, que podem decidir a eleição no primeiro turno se aderirem a Lula.

