A cúpula do PSDB está reunida neste momento para definir quais de seus filiados conduzirão a fusão com o Podemos. O procedimento é uma burocracia prevista no estatuto tucano, e a união dos partidos políticos é dada como certa, segundo fontes que participam das negociações.
O principal entusiasta da fusão é o deputado Aécio Neves, que saiu do ostracismo que lhe foi imposto pela Lava Jato para se colocar como fiador do PSDB, que luta para não desaparecer. Antes do Podemos, os tucanos negociaram com o PSD, de Gilberto Kassab, mas as conversas não prosperaram porque a união interessava apenas à facção paulista do partido.
Hoje, os principais opositores à união são Paulinho Serra, prefeito de Santo André, e o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, por ordem de Reinaldo Azambuja, seu antecessor e padrinho político.
Essa resistência também contava com Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, que era tão favorável à fusão com o PSD que saiu do PSDB e migrou para ele.
Outro governador tucano, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, negocia sua ida para o PSD, por isso não está envolvido nos debates com o Podemos.
O PSDB já foi um dos maiores partidos do Brasil. Governou o país com FHC entre 1995 e 2003, chegou a ter 99 deputados 14 dos 81 senadores entre 1995 e 1999. Minguou a partir de 2014. Hoje tem apenas 14 deputados e quatro senadores.
Apesar de querer se unir ao Podemos, o PSDB ainda terá de resolver a federação com o Cidadania, firmada para as eleições de 2022. Em fevereiro, o Cidadania anunciou o fim da parceria, mas como a lei exige que os partidos permaneçam federados por quatro anos, a ruptura só pode ser formalizada no ano que vem.
Caso haja descumprimento, PSDB e Cidadania podem ser punidos pelo Tribunal Superior Eleitoral. O Bastidor mostrou que as federações foram aprovadas pelo Congresso com os políticos contando com a ingenuidade de Luís Roberto Barroso, presidente do TSE quando a lei foi votada, para descumprirem as normas.

