A raiva e os ataques acalorados que marcaram os encontros anteriores entre Lula e Jair Bolsonaro foram substituídos pelo sarcasmo no primeiro bloco do debate presidencial organizado na noite deste domingo por um grupo de veículos de imprensa. Os dois candidatos até discutiram problemas do Brasil, mas não falaram de futuro.

O começo do bloco foi focado no passado de Lula. Até Sergio Moro – que foi ao evento assessorar Bolsonaro – foi elogiado pelo presidente para criticar as políticas de segurança petistas. O ex-presidente respondeu às acusações de leniência com o crime e ligação com o PCC chamando o atual mandatário de miliciano.

Antes, Bolsonaro, que citou a corrupção petista em quase todas as suas falas, culpou Lula pelas dívidas do Fies; mas não respondeu pergunta do ex-presidente sobre quantas universidades e escolas técnicas foram construídas na atual gestão. Aliás, a disputa pelo amor dos pobres foi o mote das discussões, seja sobre água no Nordeste, segurança pública ou corrupção.

Sobre a gestão do atual presidente, Lula lembrou que o governo lutou contra o auxílio-emergencial de 600 reais ainda no início da pandemia, em 2020. Ouviu de Bolsonaro que o dinheiro pago nos anos petistas era muito menor do que o atual.

Em relação à pandemia, o ex-presidente destacou a desastrosa política de Bolsonaro, que rebateu tentando ligar Lula à corrupção na compra frustrada de respiradores pelo consórcio do Nordeste – grupo integrado por diversos estados governados por petistas.

“O senhor não visitou a família de ninguém que morreu de Covid, mas, para parecer bonzinho, foi no enterro da rainha da Inglaterra”, criticou Lula.

“Fez campanha sobre o caixão da mulher e vem me criticar”, respondeu Bolsonaro.