Os diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária negaram hoje (segunda), por unanimidade, o pedido de estados para importar a vacina Sputnik, conforme antecipou o Bastidor.

Sem dados mínimos e em face de problemas graves já detectados na produção do imunizante, os técnicos da Anvisa foram unânimes e taxativos: era impossível autorizar a importação sem incorrer em riscos à saúde dos brasileiros.

Apesar dos esforços da agência brasileira nos últimos meses, os russos não entregaram dados brutos sobre os estudos da vacina; não permitiram acesso à fábrica do imunizante em Moscou; e demonstraram sérias dificuldades para assegurar padrões basilares de controle de qualidade do fármaco.

Os problemas da Sputnik são ainda mais amplos e profundos. Segundo informações fornecidas pelo próprio governo russo, há até adenovírus replicante na vacina. Em outras palavras, trata-se de um vírus que deveria estar morto, mas está vivo. Isso poderia causar efeitos adversos graves em quem tomasse a vacina. Na melhor das hipóteses, dizem especialistas, é um erro tão grosseiro como produzir um carro sem freio.

Mesmo uma análise generosa entre os riscos e os benefícios da vacina, segundo os técnicos e os diretores, obriga a agência a declinar a importação.

A sessão extraordinária da Anvisa ocorreu em virtude de decisão monocrática do ministro Ricardo Lewandowski que obrigou a agência a se manifestar urgentemente acerca dos pedidos de importação.

Leia e baixe os pareceres das áreas técnicas da Anvisa: