Apesar dos conselhos de ministros, Bolsonaro foi Bolsonaro. Aproveitou a invasão sediciosa ao Capitólio para lançar dúvidas infundadas sobre a integridade das urnas nas eleições de 2022.

No Supremo, o resultado foi tão previsível quanto imediato. Há pouco, ministros e assessores de ao menos quatro gabinetes – incluindo os que saíram de férias – trocavam mensagens duras sobre as declarações do presidente.

Prevalece a avaliação um tanto óbvia de que Bolsonaro representará um risco para a democracia brasileira enquanto estiver no Planalto. “Ele não aprende nem parece disposto a mudar”, diz um ministro que será fundamental na Justiça Eleitoral em 2022. “Precisa ser contido.”

Mais uma vez, a ampla maioria dos ministros concordaram – alguns abertamente, outros tacitamente – em se unir quando o tribunal for provocado a se pronunciar ou a decidir sobre assuntos relacionados às eleições e à pandemia. De preferência, no plenário, de modo a demonstrar maior força institucional.