Técnicos da OMS criticam, reservadamente, a expedição da entidade em Wuhan para tentar descobrir a origem do novo coronavírus. A missão, dizem, só poderia terminar como anunciado há pouco: sem conclusões – e com a ressalva de que é “extremamente improvável” que a mutação tenha saído, ainda que inadvertidamente, do Instituto de Virologia de Wuhan, laboratório de biossegurança de nível quatro do governo chinês.

Esses integrantes da OMS preocupam-se com o uso que a ditadura chinesa fará dos não achados da expedição. Avaliam que os principais erros da entidade na condução da pandemia devem-se ao acolhimento acrítico das informações prestadas pelos chineses.

Essas críticas não se confudem com um endosso à hipótese de que o novo vírus tenha se originado no laboratório de Wuhan. Essa hipótese não foi investigada porque malucos logo a capturaram, transformando-a em múltiplas teorias da conspiração, prontamente amplificadas por Trump. O fato de a China ter disseminado informações falsas sobre a origem do vírus também não colaborou para um ambiente de livre investigação científica.

Cientistas sérios e especialistas em biossegurança, no entanto, advertem que a hipótese do vazamento do laboratório não deveria ser descartada. Porém, esse tipo de investigação é difícil, seja em termos técnicos, seja em termos geopolíticos.

O mais provável, como aconteceu em casos relativamente semelhantes, é que jamais se conheça a origem do novo coronavírus. Predomina a teoria de que o novo vírus surgiu por mutações em animais selvagens e depois se disseminou num mercado popular de Wuhan.