O ex-presidente Michel Temer, que mantém sua influência em parte do MDB, trabalha para levar João Doria ao partido. É uma articulação discreta e que, por óbvio, depende do desfecho do conflito entre o governador de São Paulo e seus adversários no PSDB.
Temer, como a maioria dos líderes políticos, acredita que Doria não abdicará de tentar ser candidato a presidente em 2022, mesmo que não obtenha apoio no PSDB.
A entrada de Doria no MDB fortaleceria o grupo de Temer no partido. Entretanto, diante do apoio de parte do MDB ao governo Bolsonaro, é incerto se Doria se viabilizaria como candidato.
Em face das dificuldades evidentes de uma candidatura de Doria pelo MDB, políticos a par dessa articulação suspeitam que ela sirva ao propósito de dividir o PSDB e fortalecer o MDB perante o governo Bolsonaro.
Temer e Bolsonaro estão relativamente próximos. O ex-presidente trabalha pela Huawei no leilão do 5G.
Como escrevemos, um dos pilares da estratégia de Bolsonaro para chegar forte em 2022 é dividir a centro-direita.

