Assim como não houve surpresa dos senadores com a ida do governo ao STF contra a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia e municípios, o pedido de vista de algum ministro da corte já era esperado no Congresso e no Palácio do Planalto assim que a AGU (Advocacia-Geral da União) protocolou a ação.

Os senadores ficaram indignados, mas já esperavam uma reação do governo Lula, em especial do ministério da Fazenda, que ficou muito insatisfeito com o texto aprovado.

Já eram cinco votos no STF contra a desoneração (Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso) quando o ministro Luís Fux pediu vistas para avaliar melhor o caso.

É justamente esse período de algumas semanas, que o governo buscava para renegociar diretamente com os setores econômicos, além de federações e associações que representam os municípios beneficiários.

O movimento foi calculado para aumentar o poder de negociação governamental. Por isso, irritou tanto os senadores, inclusive os da base aliada. O projeto é de autoria de Efraim Filho (União Brasil-PB) e a relatoria foi de Ângelo Coronel (PSD-BA), responsável por incluir os municípios no texto.

Na renegociação, o governo planejou procurar senadores em um segundo momento, após diálogo com os setores afetados. Os parlamentares, no entanto, querem participar desde já.