Marqueteiros experientes e líderes partidários envolvidos na articulação da chamada terceira via reconhecem, sob reserva, o que as pesquisas quantitativas e qualitativas demonstram reiteradamente nos últimos meses: não há perspectiva de um candidato competitivo à Presidência da República.
De Sergio Moro a Rodrigo Pacheco, passando por Eduardo Leite e João Doria, entre outros, como Ciro Gomes, nenhum nome apresenta viabilidade eleitoral clara para ganhar em 2022. Não, portanto, para competir – para ganhar mesmo. Nem mesmo Moro, que, até a Vaza Jato e a pancadaria liderada por Gilmar Mendes no Supremo, detinha potencial acima da média perante parte do eleitorado.
Quanto mais o tempo passa e 2022 se aproxima, maior a apreensão, entre esses líderes, de que não haja, de fato, espaço para uma alternativa a Lula e a Bolsonaro. Esse cálculo exclui as dificuldades de negociar e construir uma candidatura. Contempla somente a fase seguinte – a disputa eleitoral.
A sucessão de balões de ensaio na imprensa com menções a possíveis pré-candidatos é uma consequência da dificuldade em encontrar o que, já há algum tempo, parece impossível – um nome que mexa (positivamente, não esqueça) com os eleitores e una a chamada terceira via.
Dois marqueteiros já se convenceram de que somente o imponderável, por meio de uma mudança profunda e imprevisível de cenário, pode alterar esse quadro. A esperança deles é que a guerra entre Lula e Bolsonaro destrua ambos, abrindo espaço para um terceiro nome bem posicionado. Mas é tão somente isto: uma esperança, não uma expectativa.

