As acusações sobre corrupção e compra de apoio político arrancaram risadas sarcásticas de Lula e Jair Bolsonaro no último bloco do debate presidencial realizado neste domingo (16) por um grupo de veículos de imprensa. A dupla quase se abraçou (literalmente) em meio à tentativa de mostrar quem tem menos amigos corruptos. Houve até tentativa (de ambos) de envolver as famílias nas tramoias.

Bolsonaro aproveitou o tema para colar em Lula a imagem de que o petista vai “voltar à cena do crime” se eleito. Lula fugiu, falou sobre o que seu governo fez na Petrobras e se limitou a dizer que, “se houve corrupção”, os culpados foram punidos.

O petista também tentou rebater as acusações lembrando dos segredos impostos por Bolsonaro. “Quando chegar 1º de janeiro, vou levantar os seus sigilos. Se é bom, não precisa esconder”, satirizou, chamando Bolsonaro de “puxa-saco” enquanto dizia que o então deputado federal “só me elogiava” quando estava no Congresso.

Os papéis de acusado e acusador se inverteram quando os candidatos começaram a falar de Amazônia e agronegócio. Lula afirmou que Bolsonaro incentiva invasões ilegais de terra e que os agricultores e pecuaristas de verdade não cometem esse tipo de crime. O presidente respondeu listando suas políticas a favor do setor.

A dupla também falou de educação. Lula disse que pretende se reunir com governadores e prefeitos para traçar um plano educacional para compensar as perdas dos alunos na pandemia. Bolsonaro disse que foi contra a “política do fique em casa” e que ofereceu um jogo digital para ajudar na alfabetização.

Até política externa foi discutida, mas não o que será feito, e sim quem é amigo de quem. Bolsonaro aproximou Lula dos regimes de esquerda que controlam países na América Latina, como a Nicarágua e Daniel Ortega e a Venezuela de Nicolás Maduro.

Direto com o eleitor

Nas considerações finais, os candidatos repetiram mais do mesmo. Bolsonaro defendeu família, religião, agronegócio e liberdade econômica. Lula se colocou como representante da democracia e da verdade. “É um ditadorzinho”, finalizou, em referência ao atual presidente.