A Controladoria-Geral da União (CGU) determinou multas pesadas à Precisa Medicamentos e ao FIB Bank, por tentativa de fraude na venda de vacinas contra a covid-19, durante o governo Jair Bolsonaro. A primeira empresa havia se colocado como intermediária do imunizante Covaxin, enquanto a segunda emitiu uma apólice de seguro para a operação, que poderia chegar a 1,6 bilhão de reais.
O caso foi investigado por várias autoridades, inclusive pelo Senado, na CPI da Pandemia. De acordo com a CGU, ficou constatado que a Precisa Medicamentos fraudou documentos e apresentou uma carta-fiança forjada pelo FIB Bank, para firmar o contrato com o governo.
A Precisa se apresentou como representante do laboratório Bharat Biotech, da Índia, e prometeu um contrato para o fornecimento de 20 milhões de doses da Covaxin. O valor teria sido superfaturado em 100% do preço original. O contrato chegou a ser firmado, mas não foi pago porque o escândalo veio à tona antes da assinatura. Caso tivesse sido comprada, a Covaxin seria a única vacina cujo contrato não seria firmado diretamente com o laboratório responsável pela produção.
A suspeita era de que o esquema também envolveria políticos, principalmente do PP, e até o ministro da Saúde à época, Eduardo Pazuello. O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a ser alertado por um funcionário do ministério sobre a tentativa de fraude, mas teria ignorado o aviso e chegou a ser acusado pela oposição de prevaricação. Passados quase três anos, pouco se avançou nas investigações sobre a participação de todas essas figuras no contrato.
Para a Precisa, a multa imposta pela CGU foi de R$ 3.879.251,35. A empresa também deverá manter no site oficial um aviso sobre a sanção imposta pelo governo, pelo prazo de 75 dias. Já o FIB Bank foi multado em 1,5 milhão de reais. Não houve penalidades a pessoas físicas até o momento.

