O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), resolveu adiar para a semana que vem a reunião de líderes para discutir o texto do novo arcabouço fiscal. O governo tinha a esperança de votar a matéria ainda nesta semana.
Após a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que a Câmara está “com um poder muito grande” e que “não pode humilhar o Executivo e o Senado”, houve um desconforto entre os dois e, em consequência, entre o governo e o comando da Câmara.
Lira chegou a dizer publicamente que “declarações enviesadas” não colaboram para um ambiente de aprovação de projetos.
Lideranças da base governistas, no entanto, atribuem a resistência de Lira em pautar a nova regra fiscal à demora de Lula em fazer as mudanças ministeriais para acomodar o Republicanos e o PP no governo.
Os partidos já definiram que os indicados são André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE). O governo já confirmou que ambos serão ministros, mas Lula ainda não definiu quais pastas eles comandarão. Lula adia a reforma e, em resposta, Lira adia a votação.
O governo espera a aprovação do arcabouço ainda neste mês, principalmente porque conta com uma emenda do senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), que garante um crédito adicional de até R$ 40 bilhões aos cofres públicos.
O governo quer que o valor esteja no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). A previsão é de votação até o fim do mês.

