Liderado por Ciro Nogueira, o centrão já decidiu como vai partir para cima de Paulo Guedes. A decisão de declarar guerra ao ministro da Economia foi tomada após ele insistir na criação da lista pública com os nomes dos padrinhos políticos de ocupantes de cargos no governo. O pedido de Guedes está com a CGU.
Há consenso no centrão – de PP a PL, passando por Republicanos e setores do MDB – de que Guedes quer constranger seus adversários no governo. É igualmente unânime a decisão de enquadrar o ministro, de modo a matar a lista e a enfraquecer um desafeto da ala política.
Caso Guedes não desista da lista, planeja-se uma guerra de atrito, mediante uma sequência de convocações de Guedes ao Congresso. A primeira delas, articula-se, será na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.
Prepara-se um requerimento para que o ministro compareça à Casa para esclarecer o uso de verbas recebidas de organismos internacionais – dinheiro carimbado para investimento, por exemplo, em combate ao desmatamento.
Requerimentos semelhantes estão sob análise. Outro assunto a ser – novamente – explorado nas comissões: a offshore de Guedes. Nas comissões, o ministro deve se deparar com deputados orientados a atacá-lo mais do que em ocasiões anteriores.
O objetivo dos requerimentos, um arsenal de uso tradicional em Brasília, é acuar o ministro com cobranças políticas constantes. Se for necessário levar o plano adiante, chefes do centrão também darão declarações com críticas a Guedes. Não vão parar até a rendição do ministro.

