A tropa de choque de Jair Bolsonaro na CPI da Pandemia vai voltar sua artilharia contra os governadores. A convocação de Wilson Lima, do Amazonas, é só o começo da estratégia para tirar do presidente as responsabilidades do péssimo desempenho do Brasil na crise sanitária.

Além de Lima, os bolsonaristas querem convocar os governadores de São Paulo João Dória, do Rio de Janeiro Claudio Castro, do Pará Helder Barbalho e do Distrito Federal Ibaneis Rocha.

Claudio Castro e Ibaneis Rocha são aliados de Bolsonaro, mas não serão poupados. O objetivo é construir uma narrativa em que o governo federal fez tudo para conter a pandemia e distribuiu recursos a Estados e municípios, mas as falhas foram dos governadores.

Bolsonaro quer dar destaque às operações da Polícia Federal contra a corrupção em Estados e municípios na área da saúde e afirmar que essa é a causa do aumento das mortes por Covid-19.

O Brasil alcançou 416.949 mortes causadas pela Covid-19 na quinta-feira 6 de maio. Bolsonaro está em seu quarto ministro da Saúde em 28 meses de governo. Os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich declararam na CPI que não tinham autonomia, condição evidente com a chegada do general Eduardo Pazuello.

O presidente Bolsonaro manifestou-se publicamente contra as recomendações dos especialistas, principalmente sobre uso de máscara, isolamento social, vacinas e defendeu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, envolvendo o Exército na fabricação de cloroquina.