O ato em que o ex-presidente Lula reuniu seis ex-candidatos à Presidência, em São Paulo, em apoio à sua candidatura não deve agregar uma montanha de votos. Mas representa uma vitória de sua estratégia de campanha, que pode ser valiosa num eventual segundo turno.
O fato de Henrique Meirelles (União Brasil), Guilherme Boulos (PSOL), Luciana Genro (PSOL), Cristovam Buarque (Cidadania), Marina e João Goulart Filho (PCdoB) terem aceitado dar apoio a Lula e até tirar uma foto fazendo o “L” com os dedos é algo que só foi possível porque o adversário é Jair Bolsonaro.
O efeito mais imediato da reunião é o ganho de imagem. Lula conseguiu se colocar como queria, o candidato da democracia contra a ameaça, representada por Bolsonaro.
A maioria da população está mais preocupada com a economia do que com a democracia. Mas a ideia é que a presença de pessoas tão diferentes quanto Marina Silva, Cristovam Buarque e Henrique Meirelles passe a imagem de que Bolsonaro está isolado num extremo, enquanto Lula inspira confiança.
Lula iniciou esta abertura quando convidou seu ex-adversário Geraldo Alckmin (PSB) para ser seu vice. Dobrou o PT para isso. Alckmin e Fernando Haddad, do PT, eram os outros dois ex-presidenciáveis presentes ao encontro.
O PT aposta que a cena possa ter efeito sobre eleitores indecisos ou sobre quem pensa em votar em Ciro Gomes e Simone Tebet. Se não funcionar no primeiro turno, pode valer para captar votos no segundo.
Há também a dimensão simbólica. A união de políticos de correntes ideológicas opostas em torno de um candidato em “defesa da democracia” poderia ter ocorrido no segundo turno de 2018, quando Bolsonaro já se apresentava como um radical. Não aconteceu por diversos motivos.
De toda forma, é uma evolução em um país radicalizado. É agradável ver gente tão diferente sentada pacificamente à mesma mesa. O Brasil amadurece, sempre com atraso.

