A Rússia está em desespero. Os aeroportos do país estão superlotados e há filas nas fronteiras nesta quinta-feira. Milhares de homens fogem do país depois que o presidente Vladimir Putin anunciou a convocação de mais 300.000 soldados para combater na Ucrânia invadida há seis meses. Parece que a Rússia está sendo atacada, não o contrário.
Os países europeus estão em busca de soluções para a falta de gás e o aumento dos custos da energia, em meio à inflação. A guerra é tema dominante na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A invasão da Ucrânia pela Rússia é, há seis meses, o mais delicado e importante assunto do mundo. Menos na campanha eleitoral brasileira.
Nenhum dos principais presidenciáveis falou sobre como lidará com o conflito em 2023. Haverá implicações econômicas para o Brasil lidar, bem como a necessidade de posicionamento em discussões internacionais. Falou-se mais em comunismo e religião na campanha, do que sobre o maior conflito militar em décadas.
Tudo que se sabe é sobre o passado. Lula conhece Putin do seu tempo como presidente e até culpou a Ucrânia pelo conflito, numa fala desastrada. Bolsonaro esteve na Rússia dias antes da invasão e tem em comum com Putin algumas pautas nacionalistas e o desprezo por minorias.
Tradicionalmente, a política externa não dá as caras na campanha eleitoral brasileira. Devido ao fato de o Brasil ser um país ainda bastante fechado, o tema normalmente fica relegado aos cantos. Até mesmo quando há uma guerra barulhenta.

