Gabriel Galípolo ainda não tem a menor ideia de quando será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Dois dias depois da indicação, o presidente do colegiado, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) ainda não definiu quando reunirá o grupo para ouvir o escolhido do presidente Lula para ser o próximo presidente do Banco Central.

Do ponto de vista meramente institucional, isso não é um problema. O atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, só deixará o cargo no fim do ano, o que dá tempo mais do que suficiente para a sabatina e a votação no plenário. Além disso, Galípolo já é diretor de Política Monetária, o que facilita a transição.

Entretanto, o governo tem pressa em resolver a questão. Quanto mais tempo demora entre a indicação e a sabatina, mais sobra espaço para a fritura de Galípolo por aqueles que não concordam com a escolha.

Vanderlan Cardoso, como o Bastidormostrou, divide as funções na presidência da CAE com a campanha a prefeito de Goiânia, onde disputa a liderança das pesquisas com a petista Adriana Accorsi. Mesmo assim, diz que isso não atrapalha o andamento dos trabalhos no Senado.

Em nota, Campos Neto parabenizou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em escolher Galípolo. O chefe do BC, que deixará o cargo depois de fortes atritos com o Palácio do Planalto, disse em nota que está trabalhando de “forma harmônica e construtiva com o diretor Galípolo” e desejou sorte ao sucessor.

Lula também deverá indicar nas próximas semanas Lula outros três novos diretores: o de Regulação e o de Relacionamento, cujos mandatos também terminam este ano, e o substituto de Galípolo na diretoria de Política Monetária.