É parte do discurso petista – de Lula, inclusive – chamar de “golpe” o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Mas, na prática, isso não tem consequências. Mesmo quem trabalhou pelo afastamento da então presidente pode ser indicado para cargos no governo – afinal, Lula não é preciosista nas escolhas.

Um dos beneficiados com o esquecimento é o ex-deputado federal Maurício Quintella Lessa. Ele foi indicado em julho para a presidência do conselho de administração do Instituto de Resseguros do Brasil.

À época do impeachment, Quintella abandonou o cargo de líder do PR (hoje PL), que estava na base do governo, para poder trabalhar pelo afastamento da petista.

Quintella era próximo do então vice-presidente Michel Temer e viu no convencimento dos pares na Câmara a possibilidade de colocar o aliado na Presidência da República. Como o PR, na ocasião, era contra a admissibilidade do pedido de impeachment, ele deixou a liderança da bancada.

Nada como o tempo, porém. Sem mandato, Quintella se afastou de Michel Temer e se aproximou de Renan Calheiros (MDB-AL). Ganhou com isso. Além de empregos por indicação de aliados do senador, agora ele está com um dos pés no IRB.

Só falta a aprovação pela assembleia-geral da resseguradora. Se depender de gente do PT, no entanto, Quintella não passará. A ver.