Na esteira da tentativa de influenciar deputados a votarem por menos impostos no projeto de lei sobre a taxação das apostas esportivas online, o lobby dos jogos tentou convencer os senadores a aprovarem a urgência do relatório do senador Irajá (PSD-TO) do projeto de lei que regula os jogos eletrônicos e os de fantasia. O lobby dos jogos tem especial interesse pelos jogos de fantasia.
Tentou-se, mas não conseguiu. De última hora, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), segurou, sob o argumento de que um projeto com grande capacidade de impactar a sociedade, seja na geração de emprego ou na arrecadação, deveria ser discutido com mais tempo.
Estima-se que no Brasil haja 101 milhões de gamers, dando ao Brasil o 5º lugar dos maiores mercados do mundo. Há muito dinheiro envolvido. O setor movimenta cerca de 200 bilhões de reais. Até agora, porém, não há regulamentação no país.
Há dentro do Senado uma disputa, porque os representantes dos desenvolvedores de jogos eletrônicos, que se assemelham aos grandes produtores de audiovisual, não estão satisfeitos com o que está saindo do projeto de lei.
Numa nota divulgada dois meses atrás, a Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos) reclama que a proposta de lei no Congresso atende basicamente os jogos de fantasia, que é reforçada pelo lobby dos jogos em geral. O interesse é que, a exemplo dos esportes reais, será possível realizar apostas.
Com interesses bilionários envolvidos, Pacheco preferiu segurar um pouco mais.

