O debate desta noite na Globo é a última chance de Lula e Jair Bolsonaro mostrarem algo capaz de convencer eleitores indecisos. Em segundo lugar, cabe a Bolsonaro convencer uma proporção de três entre quatro desses eleitores, uma missão difícil. A Lula basta manter o que já tem em mãos.

O debate será a última chance que os dois terão de ter contato com os eleitores, já que a propaganda no rádio e na TV acabou. Alguns temas deverão ser priorizados, dentro da estratégia de cada candidato. Prestar atenção a eles ajudará a entender melhor a disputa.

Salário-mínimo: tende a ser um dos temas mais fortes da noite. Apoiado na informação vazada do Ministério da Economia, Lula explorará a possibilidade de Bolsonaro acabar com a correção do salário-mínimo pela inflação. O presidente insistirá que é mentira e negará de todas as formas. O tema causou grande desgaste a Bolsonaro nos últimos dias. Está em jogo o voto dos eleitores mais pobres, camada onde Lula vence Bolsonaro com larga vantagem.

Corrupção: o tema é central para Bolsonaro, por ser uma das principais razões da rejeição a Lula e um obstáculo a adesão de indecisos. Bolsonaro insistirá em temas como o petrolão. Lula foi mal nos dois debates anteriores neste quesito. Durante a semana focou seu treinamento no tema, para responder a Bolsonaro.

Auxílio Brasil: além de prometer manter o valor de R$ 600, Bolsonaro deve insistir em uma informação falsa, espalhada ao longo da semana, de que Lula pretende cancelar o benefício assim que eleito, pois não teria maioria no Congresso para manter o aumento de R$ 400 para R$ 600. Os eleitores que recebem o auxílio ou conhecem quem recebem votam, em sua maioria, em Lula.

Fraude: Bolsonaro insistirá que a Justiça Eleitoral, em conluio com o PT, deixou de exibir sua propaganda eleitoral no Nordeste. Nada disso é verdade. Mas o discurso da fraude é essencial para Bolsonaro manter seus apoiadores mais radicais mobilizados. Servirá para Bolsonaro tentar convencer os eleitores que é uma vítima do Judiciário e tentar captar simpatia. Eleitores bolsonaristas tendem a antipatizar com o Supremo e afins.

Religião: Bolsonaro deve voltar a repetir que Lula é amigo de um ditador que persegue padres e é uma ameaça à católicos e evangélicos por ser a favor do aborto e da “ideologia de gênero”. Dirá que é o único a defender as famílias. O discurso é velho, mas é sua marca. Lula não tem um discurso forte aos evangélicos. Entre eles, Bolsonaro vence de lavada; Lula é mais votado entre os católicos.

Como no debate da Band, Lula e Bolsonaro terão dois blocos de 30 minutos, no qual poderão perguntar livremente um ao outro. Saber gerir o tempo de 15 minutos será importante para os dois. No último debate, Lula se perdeu e Bolsonaro teve cinco minutos para falar sozinho.

Nada indica que as duas horas do debate serão preenchidas com uma conversa construtiva, com discussão de temas fundamentais para o país: será uma pancadaria nada bonita de se ver.