Lula falou há pouco na cerimônia de posse no Senado. Agradeceu muitos do que o acompanharam até agora, mas um foi especial: o Judiciário.
O presidente citou em sua fala o esforço, principalmente das corte superiores, durante as eleições de 2022, que foram classificadas como a “mais abjeta campanha de mentiras e de ódio”da história, organizada “em escala industrial” apenas “para constranger eleitores”.
O petista citou nominalmente a Justiça eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Contas da União. Segundo Lula, graças a “atitude corajosa” dos ministros essas cortes combateram “violência” eleitoral.
Mas, num passado recente, o STF negou habeas corpus preventivo do então ex-presidente – que ficou 580 dias preso. Foi de Dias Toffoli a decisão que impediu Lula de ir ao enterro de Genival Inácio da Silva, seu irmão, e de Fux, a liminar que proibiu a entrevista que o ex-líder sindical concederia na prisão.
A fala à imprensa foi liberada dias depois por Ricardo Lewandowski, mesmo ministro que anulou a delação da Odebrecht e garantiu o fim dos processos contra Lula, dentre outros envolvidos com a Lava Jato.
Luiz Edson Fachin manteve liminar de Gilmar Mendes proibindo a posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, em 2016. Partiram dos dois ministros, mais Rosa Weber, atual presidente do Supremo, as mudanças de entendimento que anularam as condenações proferidas contra o petista por Sergio Moro.
Foi o TSE que impediu a candidatura de Lula, em 2018, porque o petista tinha sido condenado criminalmente em segunda instância. Na última eleição, o tribunal eleitoral, sob o comando de Alexandre de Moraes, ajudou a limitar a máquina usada por Jair Bolsonaro para fazer propaganda na internet – seja com fatos, seja com mentiras. Moraes agiu como xerife. Sem lei, usou a força do cargo para botar ordem no faroeste digital.
Por fim, no TCU começou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, apadrinhada de Lula, com o voto do ministro Augusto Nardes, afastado do tribunal por ter sido flagrado em conversas golpistas. Nos últimos anos, liderado por Bruno Dantas, a corte impôs derrotas a Bolsonaro.

