A insatisfação de deputados com o governo Lula (PT), que quase custou a aprovação da Medida Provisória que reestrutura os ministérios, foi potencializada nesta semana com a presença de prefeitos no Congresso. Em Brasília para um evento da Confederação Nacional de Municípios, eles visitaram gabinetes de deputados e senadores.
Um deputado revelou que parlamentares foram cobrados a semana inteira por verbas prometidas que não chegaram aos municípios. Isso porque o governo demora a liberar as emendas ao Orçamento, o que faz com que os deputados tenham dificuldade de atender às demandas de suas bases eleitorais.
A MP foi aprovada no plenário da Câmara por 337 votos favoráveis contra 125 opositores. Durante o dia, Republicanos e União Brasil, que eram contra, mudaram de posição diante da promessa de mais dinheiro feita pelo governo. Na votação, a maioria das bancadas apoiou o texto do relator Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Como mostrou o Bastidor, partidos do Centrão pressionam o governo por uma reforma ministerial para atender o Republicanos e o União Brasil, que já comanda três ministérios, mas nenhum com o aval dos deputados.
A pressão também recai sobre os ministros das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e da Casa Civil, Rui Costa. Ao Bastidor, um líder partidário usou a expressão “sacudida” para definir a necessidade de mudança na relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso.
Além de acelerar a liberação de emendas e cogitar troca de ministros para aumentar a base, o governo viu a pressão aumentar para rifar Padilha ou Costa.

