Três dias após a eleição, a pesquisa do Ipec divulgada nesta quarta-feira traz um pouco mais ânimo para a campanha de Bolsonaro do que para a de Lula. O resultado de 51% para Lula contra 43% de Bolsonaro indica uma disputa mais acirrada do que as projeções feitas antes do primeiro turno.

Lula se mantém onde estava, mas Bolsonaro ficou mais forte. O começo do segundo turno é melhor do que se projetava para o presidente.

As intenções de voto em Lula estão no nível das projeções feitas pelas pesquisas antes do primeiro turno. O resultado não permite otimismo, mas não é a tragédia criada pelos próprios petistas após o primeiro turno, quando uma vitória foi transformada em empate. O número também não coloca os dois próximos da margem de erro, que era o cenário mais pessimista.

Bolsonaro cresceu e sua equipe pode enxergar nisso um espaço para mais. Os anúncios feitos pelo governo, de incluir mais pessoas no Auxílio Brasil e pagar um 13º a mulheres que recebem o Auxílio, além de antecipar o pagamento da parcela de novembro para antes da eleição, no dia 30, ainda não repercutiram. Medidas assim não funcionaram no primeiro turno, mas o tempo sempre pode mudar isso no eleitorado.

O levantamento não retrata ainda os efeitos das declarações de apoio de outros candidatos a Lula e Bolsonaro, o que só deve acontecer a partir da próxima semana. Os resultados dependem não apenas do impacto do anúncio e da imagem dos políticos ao lado dos candidatos, mas do trabalho deles e suas equipes em campo.

Com a cruzada do governo e seus aliados para intimidar os institutos de pesquisa, a campanha de Bolsonaro deve guardar o otimismo dos números na gaveta. Para o público, a tendência é a manutenção do discurso de descrédito e manipulação das pesquisas em favor de Lula. A fantasia é mais eficiente que a realidade para motivar apoiadores.