Divulgado há pouco, o relatório dos militares sobre as urnas eletrônicas é uma peça política, resultado de uma operação para ao mesmo não arrumar confusão com o Tribunal Superior Eleitoral e agradar ao presidente Jair Bolsonaro. É digno da ginga de um partido que vota com o governo enquanto faz discurso de oposição.
No ofício encaminhado ao TSE, o ministro Paulo Sérgio Nogueira não faz nenhuma alusão a fraudes nas eleições. No item 4 de 9, o texto afirma que:
“Assinalo que o trabalho restringiu-se à fiscalização do sistema eletrônico de votação, não compreendendo outras atividades, como, por exemplo, a manifestação acerca de eventuais indícios de crimes eleitorais.”
Esta parte é para evitar qualquer problema com o TSE. Os militares afirmam que não estavam lá para buscar fraudes. Assim, fogem do tema espinhoso.
No item 5, o texto afirma que:
“Primeiro, foi observado que a ocorrência de acesso à rede, durante a compilação do código-fonte e consequente geração dos programas (códigos binários), pode configurar relevante risco à segurança do processo. Segundo, dos testes de funcionalidade, realizados por meio do Teste de Integridade e do Projeto-Piloto com Biometria, não é possível afirmar que o sistema eletrônico de votação está isento da influência de um eventual código malicioso que possa alterar o seu funcionamento.”
Esta é a parte para atender ao presidente Jair Bolsonaro e conceder-lhe uma saída na confusão criada contra as urnas eletrônicas. Se quiser, ele poderá dizer que o sistema não é perfeito e que nunca saberá se as eleições foram “limpas”. Será o suficiente para alimentar teorias da conspiração, que fazem a alegria de radicais e sucesso nas redes sociais.
O documento poderá ser usado por Bolsonaro para inflamar seus devotos que ainda estão acampados em frente aos quartéis, a pedir um golpe militar. Apesar de os próprios militares negarem a existência de fraude, o período que diz que o sistema não é inexpugnável abre uma enorme janela para os bolsonaristas mais radicais alimentarem fantasias.
Leia as íntegras dos documentos encaminhados ao Ministério da Defesa ao TSE:

