Ideias ruins são órfãs – seja em empresas, no futebol e, mais ainda, em campanhas eleitorais. O idealizador da viagem do presidente Jair Bolsonaro a Londres e Nova York, portanto, deverá ficar no anonimato, pois a excursão com pretensões de propaganda eleitoral é um fracasso de grandes proporções.

Bolsonaro foi ao funeral da rainha Elizabeth II, em Londres, e irá a Nova York para fazer o tradicional discurso inaugural da Assembleia-Geral da ONU.

Em Londres, Bolsonaro fez o que ninguém pensaria em fazer: campanha eleitoral em um país condoído pela morte de sua rainha. Gravou um vídeo no qual exibe o preço de combustíveis e compara com os brasileiros, como se fosse possível uma comparação simplesmente numérica entre reais e libras. Fez discurso eleitoral na rua. Seus apoiadores ofenderam equipes de jornalistas da BBC dizendo que eles “não eram bem-vindos” – em Londres.

As atitudes de Bolsonaro chamariam a atenção de toda forma, pois a má fama o antecede na Europa. Os jornais britânicos publicaram reportagens críticas sobre o fato de Bolsonaro aproveitar o funeral real para interesses pessoais. A deselegância e a falta de noção passaram dos limites, até mesmo para os elásticos padrões Bolsonaro.

Pelo fato de o Brasil ainda ser um país fechado, a política externa não dá as caras nas campanhas eleitorais. Mas os brasileiros têm um tradicional sentimento de se importar com o que estrangeiros pensam sobre eles e o Brasil. Com o vexame em Londres, Bolsonaro corre o risco de ganhar alguns pontos de rejeição. Uma ideia ruim dificilmente resulta em algo que não seja ruim.