Desde que voltou dos Estados Unidos, em março, o ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu pouco na política. Nesta quarta-feira (21), no entanto, Bolsonaro foi ao Senado visitar o gabinete do filho, Flávio – justo no dia da sabatina do advogado do presidente Lula, Cristiano Zanin. É óbvio que Bolsonaro apareceu num dia cheio, num lugar cheio, para passar recados em entrevistas “quebra-queixo”.
Bolsonaro sabe que será uma zebra se não for condenado e declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral no julgamento que começa nesta quinta (22).
“Tenho certeza que até o Benedito (relator do processo), ministro do STJ, agora integrante como relator do TSE, vai mudar o seu voto”
“Não pode a jurisprudência mudar de acordo com a cara de quem está sendo julgado, ou de acordo com a ideologia, que eu sou de centro-direita, outros são de centro-esquerda. É péssimo para a democracia se eu for julgado de forma diferente que foi a chapa Dilma-Temer em 2017”.
As declarações foram uma lufada de Bolsonaro, uma volta a alguns meses no passado, quando eram comuns suas tentativas de intimidar a Justiça.
A intenção de Bolsonaro é mobilizar a bancada do PL e aliados a falar em seu favor durante os próximos dias, já que o julgamento deve tomar no mínimo três sessões. Quer também animar seus seguidores a fazer barulho nas redes sociais. Em seus sonhos haveria manifestações nas ruas em seu favor.
A situação é muito diferente do previsto. No início do ano, aliados diziam que Bolsonaro evitaria a punição com uma mobilização popular capaz de intimidar os ministros do TSE. Ele voltaria dos Estados Unidos no final de janeiro (depois fevereiro, depois março…), sairia em viagem pelo Brasil, faria motociatas e seus eleitores se insurgiriam nas ruas contra a Justiça. Não se vê nada disso.
Bolsonaro está aprendendo que presidentes são como carros: enquanto estão no Palácio, são como modelos zero quilômetro numa concessionária; quando saem, os carros se desvalorizam e os presidentes perdem importância e popularidade; ambos sofrem disso rapidamente.
Depois da tentativa de golpe de 8 de janeiro e da descoberta de duas minutas de golpe de estado que circulavam entre auxiliares de Bolsonaro para evitar a posse do eleito Lula e beneficiar Bolsonaro – sem que Bolsonaro soubesse, dizem -, a situação ficou ruim para Bolsonaro. Tudo indica que ele será condenado pelo conjunto da obra.
Bolsonaro será julgado por ter usado a prerrogativa do cargo de presidente para convocar embaixadores durante a campanha eleitoral, e colocar em dúvida a lisura do sistema eleitoral brasileiro. O processo foi aberto a partir de um pedido do PDT. Como este, existem mais 16 processos no TSE contra Bolsonaro.

