O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta terça-feira (25) a troca de comando no Ministério da Saúde. A atual ministra Nísia Trindade deixará o governo, dando espaço para que Alexandre Padilha, hoje na Secretaria de Relações Institucionais, assuma o posto. A mudança reflete uma queda na participação feminina na Esplanada.

Quando assumiu, em 2023, Lula anunciou 11 ministras para compor o governo. Com a saída de Nísia, o número de mulheres cai para nove. Há a expectativa de que a atual presidente do PT, Gleisi Hoffmann, assuma algum cargo na articulação política – possivelmente o posto de Padilha, mas isso ainda depende de confirmação do Planalto. Mesmo que ela seja indicada, o total ainda será menor do que o do início do governo.

A substituição de mulheres por homens em cargos de liderança tornou-se comum. Antes de Nísia, as então ministras Daniela Carneiro (Turismo) e Ana Moser (Esportes), deram lugar a Celso Sabino e André Fufuca, respectivamente.

A única mudança no primeiro escalão em que uma mulher assumiu o cargo foi na troca de comando do Ministério de Direitos Humanos, em que Macaé Evaristo passou a liderar a pasta, no lugar de Sílvio Almeida. O ministro foi demitido depois de acusações de suposto assédio sexual, que teria cometido contra a ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco.

Embora tenha sido eleito prometendo mais igualdade entre homens e mulheres, Lula tem apresentado dificuldades em manter essa pauta. Nas duas trocas que realizou no Supremo Tribunal Federal, indicou homens para os cargos. Flávio Dino, por exemplo, passou a ocupar a vaga da ministra Rosa Weber, depois que ela se aposentou.

No Superior Tribunal de Justiça (STJ), Lula indicou três novos ministros, dos quais dois são homens e apenas uma é mulher. A mesma conta é feita no Tribunal Superior do Trabalho (TST). No Tribunal Superior Militar, o presidente indicou a ministra Maria Elizabeth Rocha. Ela foi a primeira mulher a assumir um cargo na corte.

Na Caixa Econômica Federal, a então presidente Rita Serrano foi substituída por Carlos Antônio Vieira Fernandes, depois de articulações políticas que a derrubaram. Nas agências reguladoras, até agora, não houve nenhuma indicação feminina feita pelo presidente.

Nas principais estatais, apenas o Banco do Brasil e a Petrobras têm mulheres no comando, com Tarciana Medeiros e Magda Chambriard, respectivamente. A atual líder da petrolífera assumiu no lugar de um homem: Jean Paul Prates foi demitido da empresa depois de divergências com Lula.

Troca era esperada

A falta de habilidade política de Nísia Trindade rendeu a ela críticas constantes desde os primeiros meses do governo Lula. A dificuldade para comunicar à população avanços da pasta, nesses pouco mais de dois anos, complicou a situação dela. Além disso, a crise sanitária de dengue registrada em 2024 minou a credibilidade da ministra, que comandou a Fiocruz, no período mais agudo da pandemia de coronavírus.

Mesmo assim, a pasta seguiu fazendo entregas importantes para o governo até os últimos momentos de Nísia no cargo. Pela manhã, ela anunciou a produção e distribuição gratuita de uma vacina contra a dengue, que deverá estar disponível para a população de 2 a 59 anos de idade, até meados de 2026.

A escolha por Padilha se deu principalmente porque o ministro já ocupou a pasta da Saúde, entre os anos de 2009 e 2010, no segundo mandato de Lula. Ele também era alvo de críticas no posto que ocupava, responsável pela articulação política com o Congresso Nacional, mas parte dos congressistas ainda creditava os problemas relacionados a ele com a dificuldade em convencer o chefe da Casa Civil, Rui Costa, de assumir os compromissos firmados pelo chefe de Relações Institucionais com parlamentares.