Uma das pautas da visita do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, é a articulação de uma saída para que o presidente russo, Vladimir Putin, possa comparecer à África do Sul em agosto para a reunião do Brics (acrônimo para Brasil, Índia, China e África do Sul).

Caso saia da Rússia, Putin pode ser preso por crimes de guerra, devido a uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional. Ele é acusado de levar crianças ucranianas para a Rússia e colocá-las à disposição para a adoção.

A África do Sul é signatária do TPI e, na teoria, deveria cooperar para a prisão de Putin se ele desembarcar em seu território. A China é contra. Para o Brasil, segundo disse ao Bastidor uma fonte próxima a Celso Amorim, principal assessor de internacional de Lula, seria mais conveniente que Putin envie representantes para o encontro. Não é, contudo, um posicionamento oficial.

Em 2015, a África do Sul se viu na mesma posição. Quem estava ameaçado de prisão era o então presidente sudanês Omar al-Bashir, sobre quem havia uma ordem de prisão por genocídio, crimes de guerra e de crimes contra a Humanidade.

A África do Sul não prendeu Al-Bashir enquanto ele esteve em seu território – alegou que ele tinha imunidade diplomática. O país não foi punido pelo TPI, que considerou mais importante manter a cooperação para uma operação futura.

Agora, A África do Sul ainda não definiu o que fazer a respeito da ordem de prisão contra Putin. Embora tenha enviado formalmente o convite para o comparecimento dele ao evento, busca uma saída para que não se veja novamente na posição de ter de responder ao TPI.