A bancada do PT no Congresso, em especial na Câmara, deixou as divergências com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, de lado e passou a apoiá-lo na disputa pela mudança da meta fiscal.

Costa é recorrentemente alvo de críticas de petistas que, como boa parte do centrão, atribuem a ele muitos dos problemas que a articulação política do governo enfrenta junto a base aliada. Mas tem o respaldo da bancada para influenciar Lula a rever a ideia do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de zerar o déficit em 2024.

Haddad ganhou mais alguns dias para tentar provar que é possível. A ideia, antes considerada ousada por petistas na Câmara, agora é vista como muito improvável, dada a dificuldade de se aprovar projetos que aumentem a arrecadação, em especial o que regulamenta a isenção tributária para créditos fiscais de investimentos feitos com ICMS.

Na bancada do PT desenha-se que o ideal era mudar a meta para um déficit de 0,75% a 1% do Produto Interno Bruto. Algum deputado deve apresentar uma emenda, mesmo que à revelia do governo, com essa porcentagem ao relatório do deputado Danilo Forte (União-CE) sobre o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2024.

Seria uma dupla derrota para Haddad: a mudança de meta e uma porcentagem que ultrapasse o 0,5%. O ministro da Fazenda vai tentar convencer o presidente Lula até a próxima semana.

Uma mudança na meta, se ocorrer, deve ser proposta por algum líder do governo, como exigiu o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Como mostrou o Bastidor, Lira duvida da possibilidade de zerar o déficit no ano que vem. Publicamente, no entanto, dá suporte a Haddad.