Enquanto Bolsonaro anuncia querer a problemática Sputnik, o Ministério da Saúde ignora a promissora vacina da Johnson & Johnson. Executivos da empresa estão pessimistas quanto ao “ambiente de negócios” no Brasil e intrigados com o que julgam ser uma falta de disposição da pasta em comprar doses.
Há consenso entre técnicos e cientistas – e não apenas no Brasil – de que a vacina da JJ é uma opção potencialmente excelente para as necessidades do país.
A empresa conduziu um amplo estudo de fase três, que incluiu idosos e pessoas com diversos tipos de doença. Houve voluntários brasileiros nos testes.
Ainda não se conhece a eficácia geral da vacina, mas a JJ convidou técnicos e cientistas para monitorar o desenvolvimento do imunizante. Os resultados impressionaram muitos deles. (A empresa divulgou apenas a eficácia de 66% em casos moderados e graves.)
A vacina tem três vantagens claras: exige apenas uma dose, pode ser armazenada numa geladeira tradicional e, caso a empresa cumpra seu compromisso público, estará disponível, em grande quantidade, dentre meses.
A JJ está em contato com a Anvisa e, em razão da autorização para testes no Brasil, já submeteu parte da documentação necessária a uma possível aprovação de uso emergencial no país.
A depender da quantidade de doses, e segundo a JJ essa quantidade chegaria facilmente às dezenas de milhões, o Brasil teria uma terceira vacina em pouco tempo. Aceleraria substancialmente o cronograma de imunização dos brasileiros.
O Ministério da Saúde ainda negocia, com bastante lentidão, a compra de vacinas da Moderna e segue em impasse com a Pfizer – ambas precisam ser refrigeradas em temperaturas baixíssimas. Embora haja controvérsia sobre a capacidade do Brasil em distribuir essas duas vacinas nos grandes centros urbanos, há poucas dúvidas sobre a eficácia dos imunizantes.

