Adversários nas disputas de poder dentro do governo, Arthur Lira e Valdemar Costa Neto se uniram novamente contra um inimigo comum: o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos. O motivo é a prometida promoção de Marcelo Sampaio no Ministério da Infraestrutura, deixando de ser secretário-executivo para assumir como titular da Pasta.
Sampaio é genro de Eduardo Ramos e funcionário público desde 2008. Tem mestrado em Transportes pela Universidade de Brasília e já atuou em diversos postos na administração federal. Procurado pelo Bastidor, ele não retornou os contatos até a publicação desta reportagem.
Costa Neto e Arthur Lira disputavam a indicação do substituto do ministro Tarcísio de Freitas e, com a promessa do presidente Jair Bolsonaro a Sampaio, ambos ficaram de puxar “as capivaras” do secretário-executivo – um jargão para encontrar os eventuais problemas que ele possa ter.
Lira e Valdemar preferem que o Ministério da Infraestrutura fique com a política, ainda que na mão do adversário – não significa, contudo, que eventual vitória de um dos lados não gere disputa.
O problema, avaliam os dois, é que Ramos, embora não seja da política, tenta ocupar com suas indicações muitos espaços no governo. Eles não perdoaram o fato de seus indicados terem ficado por meses na Secretaria de Governo mesmo após ele ser trocado pela ministra Flávia Arruda. Lira e Costa Neto sabem que Ramos insistia diretamente com o presidente para que os cargos fossem mantidos com seus apadrinhados. O ministro da Secretaria Geral também tentou manter os ex-assessores na Casa Civil quando Ciro Nogueira já estava no posto.
O ministro é visto pela área política como “ganancioso”.
Em caso de derrota na disputa pela Infraestrutura, Lira já encomendou um pente-fino nas indicações ou de gente com cargos que mantenham relação com Luiz Eduardo Ramos. Jogará tudo em sua conta, ainda que não seja sua a responsabilidade. Lira e Valdemar tentarão mostrar que a influência do ministro é desproporcional.
Ramos foi demitido da Secretaria de Governo e da Casa Civil por pressão dos grupos políticos dentro e fora do governo.

