Integrantes da coordenação de campanha à reeleição lamentaram a reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, realizada hoje no Palácio da Alvorada, para expor fake news sobre urnas eletrônicas e o processo eleitoral. Em off, o encontro foi considerado um vexame internacional sem resultado prático para o eleitorado.
A avaliação foi de que Bolsonaro passou vergonha. Segundo um aliado, havia desde erro de grafia na palavra briefing (escrita “brienfing” na tela de abertura do evento) até informações velhas, já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral e nenhuma informação nova.
Embaixadores, continua a fonte ligada à campanha, são pessoas normalmente bem informadas, “com informações públicas e reservadas, portanto dificilmente vão cair na história contada pelo presidente”.
Uma das reclamações dentro do grupo que coordena a campanha foi a de que Valdemar Costa Neto, dono do PL, já pediu a Bolsonaro que deixe de focar na falta de confiabilidade das urnas.
Bolsonaro já foi avisado que pesquisas qualitativas mostram que questionar as urnas é perder tempo. A percepção de parte do eleitor médio é que a reclamação prévia do presidente sobre a apuração dos votos é medo de perder as eleições.
Recentemente, Valdemar reclamou que chegou a um acordo – não respeitado por Bolsonaro – de que, se o PL contratasse uma empresa privada para auditar as eleições, o presidente deixaria de focar no assunto.
Bolsonaro insiste em falar apenas com os seus. Há uma estratégia: solidificar o apoio de seu eleitor ideológico e ir para o segundo turno.
Para a coordenação de campanha, é arriscado e pode não ser suficiente. Já apontaram a Bolsonaro o risco de outros candidatos a presidente receberem pouco voto e Lula ganhar no primeiro turno. Bolsonaro, portanto, precisaria ampliar o escopo de eleitores. Até agora, não adiantou.

