A divulgação do relatório da PF sobre voto impresso por Esperidião Amin pegou mal na entidade, disse ao Bastidor um perito do órgão com conhecimento do caso. A declaração dada pelo senador na segunda-feira (27) foi inoportuna porque ajuda a reacender uma fogueira bolsonarista apagada depois que Arthur Lira enterrou essa pauta na Câmara.

A preocupação real é com a política arrombando a porta da frente da PF. O relatório citado pelo senador na segunda-feira (27) – com informações colhidas em 2016, 2017 e 2018 – é aquele usado por Jair Bolsonaro para tentar provar a possibilidade de fraudar o sistema eleitoral brasileiro. São 14 recomendações.

Treze delas são focadas na infraestrutura digital do processo eleitoral e a última para que sejam “envidados todos os esforços” pela implantação do voto impresso com “fins de auditoria”. Mais da metade do material não pode ser lida por conta dos trechos suprimidos sob o argumento de sigilo do conteúdo.

O perito afirmou ao Bastidor que o relatório é claro ao considerar o voto impresso uma ferramenta adicional de auditoria. Essa medida, disse a PF no relatório, ajudaria o sistema eleitoral a parecer “seguro e transparente para o cidadão comum, sem conhecimentos tecnológicos”.

Ainda de acordo com esse agente da PF, também deixou de ser destacado o fato de que as recomendações do relatório não significam que “tem, teve ou terá fraude” nas urnas. À frente do TSE, Luís Roberto Barroso já disse inúmeras vezes que a adoção do voto impresso comprometeria a segurança da votação, por conta do transporte dos comprovantes num país que sofre para combater o crime organizado.