Enfim, José Mauro Coelho largou o comando da Petrobras. Desde o anúncio da demissão até a saída, o ex-presidente da empresa fez de tudo para se manter no posto. Mas, em ano eleitoral, não há espaço para quem insistia em manter os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis.

A pressão pela saída de Coelho começou dentro do governo, quando, no dia 20 de maio, Jair Bolsonaro anunciou a demissão do recém-empossado presidente da empresa. Havia apenas 40 dias que ele estava no cargo, o qual assumira com discurso emocionado, quase indo às lágrimas.

Bolsonaro está preocupado com a reeleição. Os preços dos combustíveis – em especial do diesel – atingem todos os brasileiros, direta e indiretamente.

Para outros políticos, apoiadores ou não, também havia pressão. A lei que limitou a cobrança de ICMS, na tentativa de conter o impacto dos sucessivos reajustes, mostrou-se ineficaz em cerca de uma semana depois de aprovada, quando a Petrobras anunciou novo aumento.

Diante do mais recente aumento, Bolsonaro e Arthur Lira, apoiados pelo centrão, chegaram a ameaçar abrir uma CPI para investigar os lucros da Petrobras.

E o futuro?

Com a saída de José Mauro Coelho, Bolsonaro terá outro desafio frente à petrolífera. Precisará convencer o conselho da empresa a aceitar o nome de Caio Paes de Andrade para comandar a empresa. O novo indicado já atua no Ministério da Economia, mas não tem experiência no setor de petróleo – uma exigência do estatuto interno da Petrobras.

Enquanto isso não acontece, o conselho da empresa precisará encontrar um interino para substituir Coelho. Ainda não foi divulgado como isso vai acontecer, nem quem são os cotados.

Nesta segunda-feira, a Petrobras anunciou que pagaria R$ 24,4 bilhões em dividendos aos acionistas. Desse montante, o governo federal ficará com R$ 8,8 bilhões, por ser o maior acionista da empresa.