O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Ministério da Fazenda se antecipe e aplique imediatamente medidas de fiscalização para restringir a publicidade das casas de apostas, as chamadas bets, direcionada a crianças e adolescentes.

Fux também determinou que o governo implemente a proibição do uso de benefícios sociais, como o Bolsa Família, para o pagamento de apostas. Essa medida e a restrição da publicidade já haviam sido anunciadas pelo Ministério da Fazenda, mas só começariam a valer em janeiro.

A decisão de Fux é em caráter liminar, nos processos que pedem ao STF a revogação da Lei das Bets. A ordem ainda deverá ser analisada pelos demais ministros da corte, mas já está valendo. Fux tomou a medida depois de realizar audiência pública, na qual foram ouvidas as bets, o governo e várias entidades relacionadas ao tema.

Para o ministro, a audiência revelou evidências de que a publicidade tem gerado prejuízos à saúde mental de crianças e adolescentes, bem como o impacto das apostas no orçamento de beneficiários de programas sociais. Portanto, não seria prudente esperar mais tempo para que a fiscalização do governo entrasse em vigor.

A decisão de Fux, porém, não aponta formas objetivas de aplicar as sanções. Atualmente, uma série de produtos cuja promoção publicitária é proibida ou tem restrições à veiculação, como cigarros e bebidas alcoólicas.

A liminar também não diz de que forma o governo deverá implementar a proibição do uso dos benefícios sociais para pagar apostas. Ainda há dificuldade para rastrear as casas de apostas que funcionam de maneira irregular no país. Como o Bastidormostrou, o governo não conseguiu sequer impedir que o acesso às plataformas ilegais seja efetivamente aplicado, pois a forma sugerida é ineficaz.

O Ministério da Fazenda foi procurado para comentar a decisão de Fux, mas não respondeu. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa as bets, disse em nota que a liminar vai ao encontro do que o setor defende, para que a atividade continue ocorrendo de forma responsável.

A ANJL destaca que ambas as medidas já vinham sendo defendidas pelas casas de apostas que estão se submetendo ao processo de regulamentação no país”, afirmou a entidade. 

Há outras ações contra as bets, além das restrições impostas por Fux. A Procuradoria-Geral da República recorreu ao STF para pedir que a Lei das Bets seja considerada inconstitucional. Na segunda-feira (13), o Senado instalou uma CPI para investigar as casas de apostas.

Nota atualizada às 14h30 para incluir o posicionamento do Ministério da Fazenda.

O Ministério da Fazenda informou em nota que a decisão de Fux endossa a regulamentação já implementada, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Sobre a proibição do uso de benefícios sociais para o pagamento de apostas, a pasta afirmou que trabalhará com os ministérios da área de assistência social e com o Banco Central para que as medidas sejam implementadas, mas não deu data para que a restrição entre em vigor.

Leia a íntegra da decisão: