A Global Gestão em Saúde, uma das empresas de Francisco Maximiano, foi alvo de uma operação realizada hoje pela PF. Os policiais foram aos endereços da companhia em São Paulo e Minas Gerais após encontrarem indícios de lavagem de dinheiro em operações financeiras.

Segundo a PF, a Global foi usada para simular transações entre companhias da área farmacêutica e empresas de fachada. O dinheiro obtido, continua o órgão, seria “utilizado como propina a agentes políticos como pagamento em troca de favorecimento na contratação das empresas por estatais”.

A CPI da Pandemia, apesar de também estar atenta a essas transações, deu bastante tempo para que Maximiano se organizasse antes de depor. A cúpula do colegiado adiou algumas vezes o depoimento do lobista – leia aqui, aqui e aqui.

Com a ida de hoje à Global, Maximiano recebe a terceira “visita” da PF em menos de 15 dias. Em 17 e 21 de setembro, empresas do lobista – incluindo a Precisa Medicamentos – foram alvo de agentes federais, mas por outros motivos. 

A primeira operação buscava provas de superfaturamento na compra da Covaxincancelada pelo governo após o caso vir à tona. Já a segunda foi deflagrada numa investigação que apura o pagamento adiantado, durante a gestão Ricardo Barroso no Ministério da Saúde, de R$ 20 milhões por remédios de alto custo que nunca foram entregues.

Há ainda uma quarta investigação para apurar a venda de testes de Covid-19 considerados ineficazes. Mas Maximiano é um velho conhecido da PF, tanto que a operação realizada hoje é resultado de uma investigação iniciada em 2018. 

O Bastidor mostrou que a teia de empresas e laranjas de Maximiano é extensa. Durante os governos petistas, o lobista usou a Global para receber milhões da Petrobras e dos Correios para repassar propina a gestores públicos e políticos.

Em nota após a operação da PF, a Global afirmou ser “surreal repetir a mesma busca e apreensão pela terceira vez em 13 dias, dessa vez para ir atrás de documentos sobre o que delatores disseram que teria acontecido sete anos atrás”.