O Bastidornoticiou que a atuação solitária de Alexandre de Moraes ainda não incomodava os ministros. Mas esse sentimento parece estar se esgotando. Cresce dentro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral a insatisfação com o excesso de “protagonismo” do presidente do TSE.

Nas sessões, alguns ministros têm alertado para excessos. Um exemplo recente veio de Raúl Araújo, o ministro que censurou o Lollapalooza, no julgamento da investigação aberta por Benedito Gonçalves contra diversos bolsonaristas, inclusive Carlos Bolsonaro. Araújo, que também atua no Superior Tribunal de Justiça, alertou que o TSE “não pode ceder a tentações” de regular demasiadamente o discurso eleitoral.

Outro que discorda nos julgamentos é Carlos Horbach, assim como seus colegas Sérgio Banhos e Maria Cláudia Bucchianeri. Esta faz questão de mencionar em muitas decisões que discorda de entendimentos que tutelam o eleitor ou interferem demais no debate eleitoral – e que os aplica apenas em respeito à colegialidade do TSE.

E é esse ponto que mantém o silêncio dos outros ministros titulares. Eles temem divergir de Moraes e enfraquecer a presidência num momento turbulento para a corte e para a democracia. “Moraes está ficando sem créditos”, diz uma fonte do Supremo com bom trânsito também no TSE.

Mas Moraes ficará isolado se continuar nessa toada, por exemplo, incluindo-se em funções destinadas a outros ministros, criando resoluções que alargam cada vez mais seus poderes e colocando colegas na geladeira. Há uma certeza entre os ministros: ninguém vai se prejudicar por excessos. Vão deixar que o atual presidente do TSE se enforque sozinho se esticar demais a corda.