Procura-se por Alexandre Cordeiro, presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Desde o fim de setembro, ele não dá expediente na sede do órgão, em Brasília. Emendou uma série de compromissos oficiais no Brasil e no exterior, pagos com dinheiro público, e não voltou.
As informações das viagens constam na agenda pública de Cordeiro e em despachos nos quais ele próprio se autoriza a fazer as viagens, cujo conteúdo está publicado no Diário Oficial de União.
O último dia em que Cordeiro compareceu à sede do Cade foi 23 de setembro. Na semana seguinte, iniciou uma viagem ao Rio de Janeiro, onde participou por cinco dias do Foro Latino Americano Y Del Caribe de Competencia. Embora o presidente do Cade tenha passado cinco dias no Rio, o evento durou apenas dois, 27 e 28, conforme o site oficial.
Em 3 de outubro, Cordeiro esteve em São Paulo para participar do ICC Brazilian Competition Day, evento que pretendia “discutir as principais tendências na área concorrencial como as interações com tributação, arbitragem e sustentabilidade, além de discutir o futuro do antitruste no Brasil”.
Um dia depois, já estava em viagem a Bogotá, Colômbia, onde participou de mais um evento relacionado à área de competitividade e regulação antitruste. O site do evento diz que as palestras aconteceriam na manhã do dia dia 5, mas o presidente do Cade passou a semana inteira na cidade.
Bogotá foi o início da perna internacional do roteiro. Embora a agenda oficial não mostre ainda os compromissos dos dias seguintes, o Diário Oficial da União traz despachos assinados pelo próprio Cordeiro, em que se autoriza a deixar o país para viajar a Roma, onde participou do evento “Os Desafios do Constitucionalismo Digital Contemporâneo” entre os dias de 11 a 15 deste mês. Tem mais. Entre 18 a 23, Cordeiro estará em Assunção, no Paraguai, para acompanhar a “Semana Nacional de la Competencia”.
Mesmo à distância, Cordeiro solicitou a instauração de um procedimento para investigar os institutos de pesquisas, após falas do presidente Jair Bolsonaro contra as empresas. A ordem foi suspensa por ordem do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Fontes consultadas pelo Bastidor disseram que a ausência do presidente tem atrasado a análise dos casos que o Cade precisa avaliar. A reportagem tentou contato com o órgão para explicar a ausência de um mês do presidente e como estão sendo realizados os procedimentos neste período. Não houve resposta.

