O líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento, tem repetido para quem o pergunta que o início do conflito da bancada com o governo Lula se deu logo após o seu nome ser vetado para compor algum ministério.
O veto veio mais especificamente do ministro da Casa Civil, Rui Costa, adversário de Elmar na Bahia. Nas eleições de 2022, o deputado fez campanha para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a dizer que ao lado de Lula só havia condenado e ex-presidiário.
O problema, segundo Elmar, não foi necessariamente a não ida para a Esplanada dos Ministérios. Mas o fato de, logo após a decisão, o governo ter deixado de tratá-lo como um interlocutor junto à bancada. Foi nesse período que a articulação política recorreu ao senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para se relacionar com o partido.
Não foi suficiente. Após ameaças e críticas à articulação, o governo correu sérios riscos de ser derrotado na votação da Medida Provisória que reestruturou os ministérios. Após o resultado, Elmar chegou a dizer que a maioria da sua bancada só apoiou o texto em consideração ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
O que se tenta agora, após seis meses de governo, é uma aproximação com Elmar. Para isso, como mostrou o Bastidor (aqui) e (aqui), o Palácio do Planalto admite fazer mudanças pontuais em ministérios ocupados pelo União Brasil a partir de sugestões do deputado e da bancada. Há, no entanto, o temor de desagradar Alcolumbre.

