A batalha por Kiev se aproxima a cada dia. Apesar da resistência ucraniana e dos bem-sucedidos ataques contra russos, imagens da Maxar (veja abaixo) mostram que o grande comboio militar que assustou o mundo chegou aos arredores da capital Ucrânia e começa a se dividir e ocupar posições de ataque.

O grupamento bélico quilométrico (não se sabe se 37 km ou 64km) perdeu parte de sua força ao longo do caminho devido às constantes emboscadas das tropas militares e territoriais da Ucrânia. Mesmo assim, ainda há muitos soldados e armas ativos sendo distribuídos no entorno do aeroporto de Antonov e das cidades de Lubyanka e Ivankiv – localizados a norte e nordeste de Kiev, respectivamente.

Tropas russas distribuídas nos arredores da cidade de Ozera, em 10 de março.
Tropas russas distribuídas nos arredores da cidade de Ozera, em 10 de março.
Veículos militares russos nos arredores do aeroporto de Antonov, em 10 de março.
Veículos militares russos nos arredores do aeroporto de Antonov, em 10 de março.
Caminhões russos estacionados em floresta próxima à cidade de Lubyanka, em 10 de março.
Caminhões russos estacionados em floresta próxima à cidade de Lubyanka, em 10 de março.
Comboio da Rússia em trânsito no sudoeste da cidade de Ivankiv, em 10 de março.
Comboio da Rússia em trânsito no sudoeste da cidade de Ivankiv, em 10 de março.
Comboio da Rússia em trânsito no sudoeste da cidade de Berestyanka, em 9 de março.
Comboio da Rússia em trânsito no sudoeste da cidade de Berestyanka, em 9 de março.
Comboio da Rússia em trânsito no sudoeste da cidade de Berestyanka, em 9 de março.
Comboio da Rússia em trânsito no sudoeste da cidade de Berestyanka, em 9 de março.

Mas a pobre campanha russa em solo ucraniano acendeu o alerta de Vladimir Putin, fazendo com que o czar prometesse bombas nucleares e convocasse soldados “voluntários” da Síria e da Chechênia para engrossar suas fileiras. Até agora, estimativas da Ucrânia apontam que mais de 10 mil soldados foram mortos ou feridos – informações dos EUA indicam um total entre 2 mil a 4 mil perdas da Rússia.

A escolha por sírios e chechenos tem seu motivo. Os líderes do país e da região russa são gratos a Putin pela ajuda fornecida e seus soldados são extremamente experimentados em batalhas urbanas – coisa que os russos nunca foram, sofrendo para vencer as duas guerras da Chechênia e evitando esse tipo de luta ao bombardearem indiscriminadamente a Síria.

O uso dessas pessoas também tem outro propósito. Apesar da xenofobia recíproca entre ucranianos e russos, é mais fácil odiar um não europeu ou um eurasiano islâmico do que alguém muito parecido com você. Há relatos de russos se rendendo praticamente sem resistir ou sendo presos bêbados na Ucrânia.

Só que dificilmente isso acontecerá com sírios e chechenos, porque ambos sabem que são odiados por ucranianos – que chegam a besuntar suas balas com banha de porco para impedir que seus inimigos alcancem o paraíso. As cenas de negros e islâmicos sendo barrados em estações de trem da Ucrânia enquanto tentam fugir da guerra alimentam esse ódio e reforçam (para os maus informados) a “denúncia” de Putin sobre o nazismo no país.

Já há relatos de combates entre tropas ucranianas e chechenas, mas nenhum até agora envolvendo sírios. Para pavimentar a chega da “legião estrangeira”, a Rússia está fazendo o que sabe de melhor: bombardear com artilharia e força aérea, apesar desta última também estar sofrendo perdas consideráveis na guerra.

Muitas cidades estão destruídas (veja aqui e aqui) – e Kiev não fica de fora. Bombas alvejam desde centros comerciais e prédios residenciais até maternidades. Os distritos de Stoyanka, Irpin e Borodyanka, vizinhos da capital ucraniana, foram vítimas da Rússia recentemente. Imagens cedidas pela Maxar ao Bastidor registraram os estragos nos últimos dias. Confira:

Depósitos destruídos em Stoyanka, em 10 de março.
Depósitos destruídos em Stoyanka, em 10 de março.
Refugiados aguardam para atravessar a ponte sobre o rio Irpin, destruída por bombardeios russos, em 10 de março.
Refugiados aguardam para atravessar a ponte sobre o rio Irpin, destruída por bombardeios russos, em 10 de março.
Depósito pega fogo nos arredores do aeroporto de Antonov, na região de Gostomel, em 10 março.
Depósito pega fogo nos arredores do aeroporto de Antonov, na região de Gostomel, em 10 março.
Depósito pega fogo nos arredores do aeroporto de Antonov, na região de Gostomel, em 10 março.
Depósito pega fogo nos arredores do aeroporto de Antonov, na região de Gostomel, em 10 março.
Área residencial destruída por bombardeios na Borodyanka, em 9 de março.
Área residencial destruída por bombardeios na Borodyanka, em 9 de março.

Para segurar as hordas de orcs – referência ao filme Senhor dos Anéis usada pelos ucranianos para chamar os russos e os aliados dos invasores– a Ucrânia tem ao seu lado soldados de diversos países, inclusive integrantes da Otan que decidiram lutar por conta própria. Boris Johnson já admitiu que britânicos ignoraram suas ordens para enfrentar a Rússia e até prometeu corte marcial.

Também vêm da Otan e de países aliados da entidade militar, como o Japão, balas, mísseis terra-ar e anti-tanque, coletes à prova de bala, munições de variados calibres. Faltaram os MIGs-29 poloneses, barrados pelos EUA por medo da Rússia e com o argumento de que outros armamentos seriam mais eficientes e fáceis de serem transportados até os campos de batalha.

Enquanto isso, a Letônia (vizinha de Rússia e Ucrânia) recebe um exercício militar da Otan, que já deixou de prontidão sua força de resposta rápida para qualquer eventualidade. Putin jura que não enfrentará a a aliança militar do Atlântico Norte. O tempo dirá.